Celebrando os 475 anos da expedição de Álvar Núñez Cabeza de Vaca no vale do rio Itapocu

Celebrando os 475 anos da expedição de Álvar Núñez Cabeza de Vaca no vale do rio Itapocu
Clique na imagem acima para ser redirecionado na página do JDV - Jornal do Vale do Itapocu / Jornal de Bairros (17/11/2016), páginas 6 e 7.

Programa Cidade em Ação (06/07/2016) - TV Cidade de Joinville / SC.

Redescobrindo o Itapocu - Documentário Completo

Documentário - Redescobrindo o Itapocu (Teaser)

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domingo, 7 de fevereiro de 2010

Novos documentos (alguns inéditos) sobre a expedição de Cabeza de Vaca e outros acontecimentos relacionados desta mesma ao vale do rio Itapocu.

No final do ano de 2009, foi lançado por Paulo Markun (jornalista e ex-diretor da Fundação Padre Anchieta/TV Cultura de São Paulo-SP) o livro considerado até o presente momento mais detalhado sobre a vida e história de Alvar Núñez Cabeza de Vaca nas duas viagens que fez pelas Américas no século XVI e principalmente sobre seu julgamento quando esteve detido sobre várias acusações relacionadas a sua conduta como adelantado no rio da Prata. Sem fazer propaganda deste livro e já fazendo, quem leu antes o livro "Naufrágios e Comentários", vai conhecer mais detalhes sobre os acontecimentos do rio da Prata no livro de Paulo Markun, onde o autor aborda algumas informações que foram omitidas ou colocadas numa versão diferente aos do próprio Cabeza de Vaca e de seu escrivão Pero Hernández e que já são conhecidos no livro "Naufrágios e Comentários".
Mas a propaganda que faço questão de divulgar gratuitamente no meu blog é do site do mesmo autor que faz a divulgação deste livro e que tem o domínio cabezadevaca.com.br, onde o mesmo disponibilizou gratuitamente parte da documentação do julgamento de Cabeza de Vaca no Conselho das Índias em Sevilha na Espanha (traduzidas por um especialista em manuscritos espanhóis antigos de lá e que lhe serviu de base de sua pesquisa para o conteúdo de seu livro). Desta documentação (algumas inéditas para os estudiosos sobre o assunto e que não tiveram condições de ir até a Espanha como eu, por exemplo, para pesquisar tais documentos), depois de alguns dias lendo e analisando toda a documentação até então disponível neste site, vou colocar aqui no meu blog novas informações referentes de forma direta ou indireta sob a expedição de Cabeza de Vaca e também as informações relacionadas desta expedição no vale do rio Itapocu.

Primeiramente, antes de colocar a documetação e os trechos das mesmas relacionados com a minha pesquisa de resgate historiográfico do vale do rio Itapocu, estarei explicando as situações nas quais as mesmas foram criadas para melhor compreensão do leitor deste blog e principalmente neste tópico estarão presente estas informações também no meu livro que será publicado em breve.

Pra começar, estarei colocando ou citando em ordem cronológica dos acontecimentos (não necessariamente a data dos referidos documentos) e o primeiro deles é a "Lista de passageiros que embarcaram na expedição de Cabeza de Vaca na Espanha em 1540" (documento entregue pelo Cabeza de Vaca apenas em sua defesa no Conselho das Índias em 1546). Segue o link abaixo desta lista na nomenclatura: 
TRIPULANTES EXPEDIÇÃO DE CV

O primeiro documento que o adelantado Cabeza de Vaca retrata sobre a viagem que fez com sua expedição de 250 homens desde a ilha de Santa Catarina até a Assunção no Paraguai em 1541 é retratada na "Información de lo sucedido a Alvar Núñez, hasta llegar al puerto de la Asunción" de 07 de maio de 1543. Neste documento, são respondidas pelo adelantado 67 questões dos fatos que ocorreram entre a caminhada até a capital paraguaia, na qual separei as questões 1, 4, 6, 7 e 8, que estão relacionadas diretamente sobre os acontecimentos da expedição no vale do rio Itapocu desde a foz até os contrafortes da serra do mar. Segue abaixo as seguintes questões abaixo:


Resumindo as seguintes questões relacionadas, a primeira curiosidade que se tem neste documento é a referência que o adelantado faz em relação ao rio Itapocu, chamando diferentemente por três palavras em sete menções: Ytabucu, Itabucu e Ytalucu. A segunda curiosidade é que o mesmo ao se referir a foz do rio, preferiu chamá-lo de "Baía" (por causa da atual lagoa de Barra Velha onde o rio Itapocu deságua antes de chegar ao mar). Terceira curiosidade é que no dia 21 de outubro de 1541, Cabeza de Vaca tomou posse da foz do rio Itapocu em nome de sua majestade, dando o nome de "Vera de Ytabucu". A última curiosidade é que o adelantado (ao contrário do que afirmou mais tarde na "Relación General" de 07 de dezembro de 1545 e no livro "Comentários" de 1555), deu sua primeira versão sobre a entrada pelo vale do rio Itapocu, dizendo que a expedição teria percorrido o caminho em apenas 14 dias e não em 19 dias como afirma ele e demais desbravadores que acompanharam a expedição em outros documentos (fontes primárias). Este é um importante documento que coloco aqui.
Este documento se encontra nos links da página com as nomenclaturas: JUSTICIA 14 e PB CV 09

Fazendo a pesquisa de outros documentos disponibilizados neste site, acabei encontrandos vários depoimentos contra as atitudes tomadas por Cabeza de Vaca (principalmente desde a saída da ilha de Santa Catarina em direção a Assunção no Paraguai em 1541), onde através destes depoimentos acabei criando uma lista dos desbravadores que se tem confirmação historiográfica que fizeram parte dos 250 homens que percorreram a pé desde a foz do rio Itapocu até Assunção no Paraguai. A lista completa segue no tópico:


Reconstituição historiográfica da expedição de Alvar Núñez Cabeza de Vaca (Parte 2).

Um fato curioso e não descrito explicitamente nos documentos (inclusive no livro "Comentários") de Alvar Núñez Cabeza de Vaca é a presença de uma desbravadora que estava presente na longa caminhada desde a costa catarinense até Assunção no Paraguai. A mesma era a criada afro descendente do próprio Cabeza de Vaca e que teria vindo com ele desde a Espanha (mesmo não estando seu nome confirmado na lista de passageiros escrito pelo seu secretário Pero Hernández). Esta desbravadora se chamava Juana Núñez (“la Prieta”, também conhecida como “negra” e “Juana Méndez”). Entre os vários documentos divulgados no site, alguns destes fazem menção direta e indireta da criada de Cabeza de Vaca, principalmente em relação à mesma acabou fazendo parte dos acontecimentos que levaram a prisão e o julgamento do governador no Paraguai e principalmente na Espanha (Justícia 08, 09, 13, 15; PB AC 03, 06, 07; Res. PB AC 06 e 07; além da Acusação 04). Sobre estes documentos (referências no site) citados acima, se encontra a confirmação de que "la Prieta" fazia parte da expedição dos 250 homens que saiu da foz do rio Itapocu em direção a Assunção no Paraguai. Este fato se comprova através dos relatos sobre os acontecimentos da expedição durante a caminhada entre a costa catarinense até a capital paraguaia, onde alguns testemunhos descreveram as atitudes dos criados que seguiam ordens do próprio Cabeza de Vaca durante a travessia a pé. Uma informação mais detalhada (fazendo menção no documento diretamente no nome de “Juana Núñez”), vem da testemunha nº 52, descrita na pessoa de Luís Osório, que respondeu a décima pergunta da "Relación sacada de la probanza hecha por parte de los oficiales de su Majestad de la provincia del Río de la Plata en el pleito que tratan contra Alvar Núñez Cabeza de Vaca sobre las causas sobre que le prendieron" (escrito entre 1543 e 1544). O trecho desta descrição segue abaixo:


Existem vários documentos feitos na cidade de Assunção no Paraguai a partir do mês de junho de 1543 e encaminhados a Espanha, referentes a tentativa dos freis Bernardo de Armenta e frei Alonso Lebrón quando os mesmos e mais alguns poucos espanhóis e cerca de trinta índias aos cuidados dos frades, tentaram sair de Assunção no Paraguai a pé pra retornarem novamente ao Brasil e nisso levariam algumas cartas e documentos que incriminariam Cabeza de Vaca no seu cargo de adelantado do rio da Prata. Mas ao saber da fuga dos frades, o adelantado mandou um grupo de espanhóis de sua confiança ir atrás dos frades logo em seguida, onde os mesmos foram encontrados no rio Mondaí ainda no território paraguaio a 35 léguas de Assunção (cerca de 200 quilômetros). Diante destes acontecimentos, foram tomados alguns depoimentos de espanhóis no julgamento de Cabeza de Vaca e dois destes documentos que separei tem importantes informações referentes a este acontecimento e principalmente na historiografia do vale do rio Itapocu.
Segue abaixo o trecho da "Declaraciones de Juan de Ávalos e Juana em Assunção no Paraguai em junho de 1543".


Resumindo o que esta declaração (confissão) fala é que o dois frades ao caminharem em direção a costa do Brasil (em 1543), o frei Alonso Lebrón teria dito ao Juan de Avalos que iria visitar uma povoação indígena onde teria alguns cristãos no "río de Ytabucu que és tierra de verdade" (proferindo esta frase segundo o frade por causa da instabilidade política que tinha se instalado em Assunção no Paraguai naquele ano) e também o mesmo tinha prometido em voltar a estas povoações indígenas um dia.
Fazendo uma comparação com os relatos de Cabeza de Vaca (Comentários) sobre os 19 dias que a expedição teria entrado pelo rio Itapocu, o mesmo afirma que esta terra (vale do rio Itapocu) era despovoada. Tudo indica que o frei Alonso Lebrón ao se referir ao rio Itapocu que é terra de verdade e que tinha percorrido dois anos antes, o mesmo teria apenas tomado o nome do rio como um ponto de referência para identificar as povoações indígenas nos altiplanos da serra do mar que ficava não muito distante das cabeceiras das nascentes do próprio rio Itapocu.
Este documento se encontra nos links da página com as nomenclaturas: PB CV 07 e JUSTICIA 09.
Segue o trecho da "Declaración de Sebastian Gonzales em Assunção no Paraguai em junho de 1543".


Resumindo o que esta declaração (confissão) fala e que os dois frades conversaram com o próprio Sebastian Gonzales sobre a intenção dos mesmos tivessem conseguido chegar na costa do Brasil (litoral de Santa Catarina) sem terem sidos detidos a mando de Cabeza de Vaca (em 1543), eles juntamente com alguns cristãos que já se encontravam na costa do Brasil, esperariam alguma nau espanhola aportar num lugar que se chama "Tayayrbe ou Tayarybe" (rio Itajaí-Açú) a três léguas (cerca de 17 quilômetros terrestres ou marítimas espanholas daquela época) de "Ytabun" (rio Itapocu), para poder levar as cartas e documentos que incriminariam Cabeza de Vaca. Duas observações neste documento, o primeiro é que o rio Itajaí-Açú naqueles tempos é descrito na cartografia espanhola antiga do século XVII de "Tayahüg" e a segunda observação é a distância que Sebastian Gonzales descreveu que existe entre "Tayayrbe ou Tayarybe" com "ytabun" que é de três leguas. O mesmo não conhecer o lugar ou que um dos frades tenham lhe informado erroneamente a distância, o certo é que entre a foz do rio Itapocu com a foz do rio Itajaí-Açú, a distância entre estes dois rios fica aproximadamente 35 quilômetros ou cerca de 6 a 7 leguas.
Este documento se encontra nos links da página com as nomenclaturas: PB CV 07 e JUSTICIA 09.

Cabeza de Vaca quando chegou a costa brasileira em 1541 até chegar a Assunção no Paraguai por terra em 1542, tem a confirmação de que tomou posse em nome de sua majestade de seis lugares distintos, sendo que cinco destes lugares pertencentes ao território brasileiro (Cananéia onde mandou esculpir em uma ilha próxima num paredão de pedra o brasão de sua família; Ilha de Santa Catarina que chamou de "Baía de Ramos" no dia 18 de abril de 1541; foz do rio Itapocu que chamou de "Vera de Ytabucu" no dia 21 de outubro de 1541; planalto nordeste catarinense que chamou de "Província de Vera" no dia 28 de novembro de 1541; nas cercanias do rio Iguaçú na povoação indígena de Tarayra no dia 01 de dezembro de 1541 e na região nordeste do lado direito do rio Paraná já em território paraguaio pouco mais da metade do mês de fevereiro de 1542). Destas seis posses registradas em nome de sua majestade (rei Carlos V), duas delas estão disponibilizadas no site e foram anotadas pelo primeiro escrivão do adelantado Juan de Araoz. A primeira é referente a posse da ilha de Santa Catarina e a segunda é referente ao povoado indígena de Tocanguaçú. Estarei colocando o trecho completo apenas de Tocanguaçú por estar relacionado diretamente com minha pesquisa:


Resumindo o que esta declaração das posses em nome de sua majestade fala e que não pode deixar de se fazer algumas observações. A primeira é que depois de 26 dias desde a saída da expedição da foz do rio Itapocu no dia 02 de novembro de 1541 até os contrafortes da serra do mar, encontraram três povoações indígenas (Anníriri, Cypoyay e Tocanguaçú, segundo o livro "Comentários" de 1555), está última povoação indígena de Tocanguaçú o adelantado tomou posse no dia 28 de novembro de 1541. Este documento comprova que ainda a expedição se encontrava no atual território catarinense, pois outras fontes primárias mostram indícios desta teoria. A primeira é que depois do dia 28 de novembro, a expedição cruzou com o rio Iguaçú apenas no dia 01 de dezembro de 1541, segundo o que descreve no livro "Comentários" de 1555 (4 dias após ter tomado posse das terras do povoado de Tocanguaçú). Isto significa que cada dia de caminhada equivale a uma jornada terrestre percorrida em média. Sabendo que uma jornada terrestre ficava entre 30 a 40 quilômetros por dia percorridos, significa que a expedição estava pouco mais de 120 quilômetros distantes da margens do rio Iguaçú no território paranaense. Outro indício que a expedição ainda se encontrava em território catarinense seria o tal "arroio" que corta todo o campo e que o adelantado mandou fincar uma cruz nas margens deste mesmo, tomando assim posse em nome de sua majestade. Seria este arroio o atual rio Negro que o adelantado e outros desbravadores não citaram em documentos. Terceiro indício de que a expedição se encontrava ainda em território catarinense quando o espanhol Juan Cerrudo ou Cerrado adoeceu nas cercanias do rio Iguaçú e o adelantado disse que não esperaria pela melhora do mesmo, sugerindo que Juan Cerrudo poderia retornar a costa do Brasil em 4 ou 5 dias (dando a entender que o mesmo poderia chegar rapidamente ao mar através da navegação fluvial, provavelmente saíndo das cabeceiras do rio Itapocu). O quarto e último indício vem de outro documento chamado "Relación sacada de la probanza hecha por parte de los oficiales de su Majestad de la provincia del Río de la Plata en el pleito que tratan contra Alvar Núñez Cabeza de Vaca sobre las causasque le prendieron" (escrito entre 1543 e 1544), onde na décima segunda pergunta o escrivão desta relação faz a seguinte indagação para algumas testemunhas deste processo contra Cabeza de Vaca:


Este trecho que na verdade é uma pergunta as testemunhas, mostra segundo esta indagação de que a distância que a povoação indígena de Tocanguaçú se encontrava desde a costa do mar (foz do rio Itapocu) era de aproximadamente vinte léguas ou 110 quilômetros. Isto comprova que a expedição ainda no dia 28 de novembro se encontrava em terras catarinenses antes de continuar a caminhada em território paranaense.
Estes documentos se encontram nos links das páginas com as nomenclaturas: JUSTICIA 14 e PB AC 07.

Pra terminar todo o levantamento que fiz nas documentações disponibilizadas neste site, acabei encontrando uma curiosidade em um dos vários documentos sobre a conspiração de se tentar libertar o adelantado Cabeza de Vaca da prisão em Assunção no Paraguai em 1544 e levá-lo ao Brasil com mais ou menos 130 homens de sua confiança pelo mesmo caminho três anos antes percorrido por ele. Um destes documentos é do testemunho de Diego de Abreu ou Abrego. Segue o trecho abaixo:



Resumindo o que esta declaração de Diego de Abreu ou Abrego retrata é que caso tivesse sido consumado a conspiração da libertação de Cabeza de Vaca e consecutivamente de sua fuga de Assunção no Paraguai com seus homens de confiança para a costa do Brasil (em 1544), estariam além de restabelecer novamente o comando ao adelantado em terras catarinenses (ilha de Santa Catarina), manteriam juntamente com os índios o plantio nas roças e o cultivo de cana de açúcar, além de tentarem também criar uma outra povoação espanhola nas cercanias do "río de San Francisco" (ilha de São Francisco do Sul).

2 comentários:

Anônimo disse...

Suena bien, me gusta leer tu blog, acaba de agregar a mis favoritos;)

Anônimo disse...

Eu tenho que confessar que às vezes eu fico entediado de ler a coisa toda , mas eu acredito que você pode adicionar algum valor. Bravo!