Redescobrindo o Itapocu - 1ª Fase: Peabiru

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domingo, 7 de fevereiro de 2010

Novos documentos (alguns inéditos) sobre a expedição de Cabeza de Vaca e outros acontecimentos relacionados desta mesma ao vale do rio Itapocu.

No final do ano de 2009, foi lançado por Paulo Markun (jornalista e ex-diretor da Fundação Padre Anchieta/TV Cultura de São Paulo-SP) o livro até neste presente momento mais detalhado sobre a vida e história de Alvar Núñez Cabeza de Vaca nas duas viagens que fez pela América no século XVI e principalmente sobre seu julgamento quando esteve detido sobre várias acusações relacionadas a sua conduta como adelantado no rio da Prata. Sem fazer propaganda deste livro e já fazendo, quem leu antes o livro "Naufrágios e Comentários", vai conhecer mais detalhes sobre os acontecimentos no rio da Prata no livro de Paulo Markun, onde o autor aborda algumas informações que foram omitidas ou colocadas numa versão diferente aos do próprio Cabeza de Vaca e de seu escrivão Pero Hernández e que já são conhecidos no livro "Naufrágios e Comentários".
Mas a propaganda que faço questão de divulgar gratuitamente no meu blog é do site do mesmo autor que faz a divulgação deste livro e que tem o domínio cabezadevaca.com.br, onde o mesmo disponibilizou gratuitamente parte da documentação do julgamento de Cabeza de Vaca no Conselho das ìndias em Sevilha na Espanha (traduzidas por um especialista em manuscritos espanhois antigos de lá e que lhe serviu de base de sua pesquisa para o conteúdo de seu livro). Desta documentação (algumas inéditas para os estudiosos sobre o assunto e que não tiveram condições de ir até a Espanha como eu por exemplo para pesquisar tais documentos), depois de alguns dias lendo e analisando toda a documentação até então disponível neste site, vou colocar aqui no meu blog novas informações referentes diretamente ou indiretamente sob a expedição de Cabeza de Vaca e outras informações relacionadas desta expedição ao vale do rio Itapocu.

Primeiramente, antes de colocar a documetação e os trechos das mesmas relacionados com a minha pesquisa de resgate historiográrico do vale do rio Itapocu, estarei explicando as situações nas quais as mesmas foram criadas para melhor compreensão do leitor deste blog e principalmente deste tópico estará presente estas informações também no meu livro que será publicado em breve ainda este ano.

Pra começar, estarei colocando ou citando em ordem cronológica dos acontecimetos (não necessariamente a data dos referidos documentos) e o primeiro deles é a "Lista de Passageiros que embarcaram na Expedição de Cabeza de Vaca na Espanha em 1540" (documento entregue pelo Cabeza de Vaca apenas em sua defesa no Conselho das Índias em 1546). Segue o link abaixo desta lista na nomenclatura:

TRIPULANTES EXPEDIÇÃO DE CV

O primeiro documento que o adelantado Cabeza de Vaca retrata sobre a viagem que fez com sua expedição de 250 homens desde a ilha de Santa Catarina até a Assunção no Paraguai em 1541 é retratada na "Información de lo sucedido a Alvar Núñez, hasta llegar al puerto de la Asunción" de 07 de mais de 1543. Neste documento, são respondidas pelo adelantado 67 questões dos fatos que ocorreram entre a caminhada até a capital paraguaia, na qual separei as questões 1, 4, 6, 7 e 8, que estão relacionadas diretamente sobre os acontecimentos da expedição no vale do rio Itapocu desde a fóz até os contrafortes da serra. Segue abaixo as seguintes questões abaixo:


Resumindo as seguintes questões relacionadas, a primeira curiosidade que se tem neste documento é a referência que o adelantado faz em relação ao rio Itapocu, chamando diferentemente por três palavras em sete menções: Ytabucu, Itabucu e Ytalucu. A segunda curiosidade é que o mesmo ao se referir a foz do rio, preferiu chamá-lo de "Baía" (por causa da atual lagoa de Barra Velha onde o rio Itapocu deságua antes de chegar ao mar). Terceira curiosidade é que no dia 21 de outubro de 1541, Cabeza de Vaca tomou posse da fóz do rio Itapocu em nome de sua majestade, dando o nome de "Vera de Ytabucu". A última curiosidade é que o adelantado (ao contrário do que afirmou mais tarde na "Relación General" de 07 de dezembro de 1545 e no livro "Comentários" de 1555), deu sua primeira versão sobre a entrada pelo vale do rio Itapocu, dizendo que a expedição teria percorrido o caminho em apenas 14 dias e não em 19 dias como afirma ele e demais desbravadores que acompanharam a expedição em outros documentos. Este é um importante documento que coloco aqui.
Este documento se encontra nos links da página com as nomenclaturas: JUSTICIA 14 e PB CV 09

Fazendo a pesquisa de outros documentos disponibilizados neste site, acabei encontrandos vários depoimentos contra as atitudes tomadas por Cabeza de Vaca (principalmente desde a saída da ilha de Santa Catarina em direção a Assunção no Paraguai em 1541), onde através destes depoimentos acabei criando uma lista dos desbravadores que se tem confirmação historiográfica que fizeram parte dos 250 homens que percorreram a pé desde a fóz do rio Itapocu até Assunção no Paraguai. A lista segue abaixo:


Um fato curioso e não descrito explicitamente nos documentos (inclusive no livro "Comentários") de Alvar Núñez Cabeza de Vaca é a presença de uma desbravadora que estava presente na longa caminhada desde a costa catarinense até Assunção no Paraguai. A mesma era a criada afro descendente do próprio Cabeza de Vaca e que teria vindo com ele desde a Espanha (mesmo não estando seu nome confirmado na lista de passageiros descritor pelo seu secretário Pero Hernández). Esta desbravadora se chamava Juana Núñez (“la Prieta”, também conhecida como “negra” e “Juana Méndez”). Dentre os vários documentos divulgados no site, alguns destes fazem menção direta e indireta da criada de Cabeza de Vaca, principalmente em relação à mesma acabou fazendo parte dos acontecimentos que levaram a prisão e o julgamento do governador no Paraguai e principalmente na Espanha (Justícia 08, 09, 13, 15; PB AC 03, 06, 07; Res. PB AC 06 e 07; além da Acusação 04). Sobre estes documentos (referências no site) citados acima, se encontra a confirmação de que "la Prieta" fazia parte da expedição dos 250 homens que saiu da foz do rio Itapocu em direção a Assunção no Paraguai. Este fato se comprova através de relatos sobre os acontecimentos da expedição durante a caminhada entre a costa catarinense até a capital paraguaia, onde alguns testemunhos descreveram as atitudes dos criados que seguiam ordens do próprio Cabeza de Vaca durante a travessia a pé. Uma informação mais detalhada (fazendo menção no documento diretamente no nome de “Juana Núñez”), vem da testemunha nº 52, descrita na pessoa de Luís Osório, que respondeu a décima pergunta da "Relación sacada de la probanza hecha por parte de los oficiales de su Majestad de la provincia del Río de la Plata en el pleito que tratan contra Alvar Núñez Cabeza de Vaca sobre las causas sobre que le prendieron" (escrito entre 1543 e 1544). O trecho desta descrição segue abaixo:


Existem vários documentos feitos na cidade de Assunção no Paraguai a partir do mês de junho de 1543 e encaminhados a Espanha, referentes a tentativa dos freis Bernardo de Armente e frei Alondo Lebrón quando os mesmos e mais alguns poucos espanhois e cerca de trinta índias aos cuidados dos frades, tentaram sair de Assunção no Paraguai a pé pra retornarem novamente ao Brasil e nisso levariam algumas cartas e documentos que incriminariam Cabeza de Vaca no seu cargo de adelantado do rio da Prata. Mas ao saber da fuga dos frades, o adelantado logo que soube da fuga mandou um grupo de espanhois de sua confiança ir atrás dos frades logo em seguida, onde os mesmos foram encontrados no rio Mondaí ainda no território paraguaio a 35 léguas de Assunção (cerca de 200 quilômetros). Diante destes acontecimentos, foram tomados alguns depoimentos de espanhois no julgamento de Cabeza de Vaca e dois destes documentos que separei tem importantes informações referentes a este acontecimento e principalmente ao vale do rio Itapocu.
Segue abaixo o trecho da "Declaraciones de Juan de Ávalos e Juana em Assunção no Paraguai em junho de 1543".


Resumindo o que esta declaração (confissão) fala é que o dois frades ao mesmo que estariam indo a costa do Brasil (em 1543), onde especialmente o frei Alonso Lebrón teria dito ao Juan de Avalos que iria visitar uma povoação indígena onde teria alguns cristãos no "río de Ytabucu que és terra de verdade" (proferindo esta frase segundo o frade por causa da instabilidade política que tinha se instalado em Assunção no Paraguai naquele ano) e também o mesmo tinha prometido em voltar a estas povoações indígenas um dia.
Fazendo uma comparação com os relatos de Cabeza de Vaca (Comentários) sobre os 19 dias que a expedição teria entrado pelo rio Itapocu, o mesmo afirma que esta terra (vale do rio Itapocu) era despovoada. Tudo indica que o frei Alonso Lebrón ao se referir ao rio Itapocu que é terra de verdade e que tinha percorrido dois anos antes, o mesmo teria apenas tomado o nome do rio como um ponto de referência para identificar as povoações indígenas nos altiplanos da serra que ficavam não distante das cabeceiras da nascente do próprio rio Itapocu.
Este documento se encontra nos links da página com as nomenclaturas: PB CV 07 e JUSTICIA 09.
Segue o trecho da "Declaración de Sebastian Gonzales em Assunção no Paraguai em junho de 1543".


Resumindo o que esta declaração (confissão) fala e que os dois frades juntamente com próprio Sebastian Gonzales disse que se os mesmos tivessem conseguido chegar na costa do Brasil (litoral de Santa Catarina) sem terem sidos detidos a mando de Cabeza de Vaca (em 1543), eles juntamente com alguns cristãos que já se encontravam na costa do Brasil, esperariam alguma nau espanhola aportar num lugar que se chama "Tayayrbe ou Tayarybe" (rio Itajaí-Açú) a três léguas (cerca de 17 quilômetros terrestres ou marítimas espanholas daquela época) de "Ytabun" (rio Itapocu), para poder levar as cartas e documentos que incriminariam Cabeza de Vaca. Duas observações neste documento, o primeiro é que o rio Itajaí-Açú naqueles tempos e descritos na cartografia espanhola do século XVII era chamado também de "Tayahüg" e a segunda observação é a distância que Sebastian Gonzales descreveu que existe entre "Tayayrbe ou Tayarybe" com "ytabun" que é de três leguas. Pelo mesmo não conhecer o lugar ou que um dos frades tenham lhe informado erroneamente a distância, o certo é que entre a fóz do rio Itapocu com a fóz do rio Itajaí-Açú, a distância entre estes dois rios fica aproximadamente 35 quilômetrs ou cerca de 6 a 7 leguas.
Este documento se encontra nos links da página com as nomenclaturas: PB CV 07 e JUSTICIA 09.

Cabeza de Vaca desde chegou a costa brasileira em 1541 até chegar a Assunção no Paraguai por terra em 1542, se tem confirmado de que tomou posse em nome de sua majestade de seis lugares distintos, sendo que cinco destes lugares pertencentes ao território brasileiro (Cananéia onde mandou esculpir em uma ilha próxima num paredão de pedra o brasão de sua família; Ilha de Santa Catarina que chamou de "Baía de Ramos" no dia 18 de abril de 1541; fóz do rio Itapocu que chamou de "Vera de Ytabucu" no dia 21 de outubro de 1541; planalto nordeste catarinense que chamou de "Província de Vera" no dia 28 de novembro de 1541; nas cercanias do rio Iguaçú na povoação indígena de Tarayra no dia 01 de dezembro de 1541 e na região nordeste do lado direito do rio Paraná já em território paraguaio pouco mais da metade do mês de fevereiro de 1542). Destas seis posses registradas em nome de sua majestade (rei Carlos V), duas delas estão disponibilizadas no site e foram anotadas pelo seu primeiro escrivão do adelantado Juan de Araoz. A primeira é referente a posse da ilha de Santa Catarina e a segunda é referente ao povoado indígena de Tocanguaçú. Estarei colocando o trecho completo apenas de Tocanguaçú por está relacionado diretamente com minha pesquisa:


Resumindo o que esta declaração das posses em nome de sua majestade fala e que não pode deixar de se fazer algumas observações. A primeira é que depois de 26 dias desde a saída da expedição da fóz do rio Itapocu no dia 02 de novembro de 1541 até os contrafortes da serra do mar, encontrando três povoações indígenas (Anníriri, Cypoyay e Tocanguaçú, segundo olivro "Comentários" de 1555), está última de Tocanguaçú o adelantado tomou posse nesta povoação no dia 28 de novembro de 1541. Este documento comprova que ainda a expedição se encontrava no atual território catarinense. Pois algumas documentações mostra indícios desta teoria. A primeira é que depois do dia 28 de novembro, a expedição cruzou com o rio Iguaçú apenas no dia 01 de dezembro de 1541, segundo o que descreve no livro "Comentários" de 1555 (4 dias após ter tomado posse das terras do povoado de Tocanguaçú). Isto significa que cada dia de caminhada equivale a uma jornada terrestre percorrida em média. Sabendo que uma jornada terrestre ficava entre 30 a 40 quilômetros por dia percorrido, significa que a expedição estava pouco mais de 120 quilômetros distantes da margens do rio Iguaçú no território paranaense. Outro indício que a expedição ainda se encontrava em território catarinense seria o tal "arroio" que corta todo o campo e que o adelantado mandou fincar uma cruz nas margens deste mesmo, tomando assim posse em nome de sua majestade. Seria este arroio o atual rio Negro (Una ou Iguna como era conhecido antigamente pelos guaranis) que o adelantado e outros desbravadores não citaram em documentos? Terceiro indício de que a expedição foi quando o espanhol Juan Cerrudo ou Cerrado adoeceu nas cercanias do rio Iguaçú e o adelantado disse que não esperaria pela melhora do mesmo, sugerindo ao mesmo que poderia retornar a costa do Brasil em 4 ou 5 dias (dando a entender que o mesmo poderia chegar rapidamente ao mar através da navegação fluvial, provavelmente saíndo das cabeceiras do rio Itapocu). O quarto e último indício vem de outro documento chamado "Relación sacada de la probanza hecha por parte de los oficiales de su Majestad de la provincia del Río de la Plata en el pleito que tratan contra Alvar Núñez Cabeza de Vaca sobre las causas sobre que le prendieron" (escrito entre 1543 e 1544), onde na décima segunda pergunta o escrivão desta relação faz a seguinte indagação para algumas testemunhas deste processo contra Cabeza de Vaca:


Este trecho que na verdade é uma pergunta as testemnhas, mostra segundo esta indagação de que a distância que a povoação indígena de Tocanguaçú se encontrava desde a costa do mar (fóz do rio Itapocu) era de aproximadamente vinte léguas ou 110 quilômetros. Isto comprova que a expedição ainda no dia 28 de novembro se encontrava em terras catarinenses antes de continuar a caminhada em território paranaense.
Estes documentos se encontram nos links das páginas com as nomenclaturas: JUSTICIA 14 e PB AC 07.

Pra terminar todo o levantamento que fiz nas documentações disponibilizadas deste site, acabei encontrando uma curiosidade em um dos vários documentos sobre a conspiração de se tentar libertar o adelantado Cabeza de Vaca da prisão em Assunção no Paraguai em 1544 e levá-lo ao Brasil com mais ou menos 130 homens de sua confiança pelo mesmo caminho três anos antes percorrido por ele. Um destes documentos é o testemunho de Diego de Abreu ou Abrego. Segue o trecho abaixo:


Resumindo o que esta declaração de Diego de Abreu ou Abrego retrata é que caso tivesse sido consumado a conspiração da libertação de Cabeza de Vaca e consecutivamente de sua fuga de Assunção no Paraguai com seus homens de confiança para a costa do Brasil (em 1544), estariam além de restabelecer novamente o comando ao adelantado em terras catarinenses (ilha de Santa Catarina), manteriam juntamente com os índios o plantio nas roças e o cultivo de cana de açúcar, além de tentarem criar uma outra povoação nas cercanias do "río de San Francisco" (ilha de São Francisco do Sul).

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Alguns documentos históriográficos do século XVI e XVII que comprova e reafirma a entrada do Peabiru em Santa Catarina a partir da fóz do rio Itapocu.

Este tópico foi criado para facilitar ao acesso as informações sobre as documentações existentes sobre minha pesquisa. Também está sendo colocado aqui neste tópico os trechos de alguns livros antigos dos séculos XVI, XVII e XVIII e que contam um pouco desta história também, pois não deixam de ser importantes documentos descritos por quem esteve por aqui e pelos cronistas em suas respectivas épocas de publicação. Alguns documentos e livros parecem ser duplicados ou repetidos em relação as informações contidas aqui, porém foram redigidos e interpretados em épocas diferentes. Aguardem que tem novos documentos sobre o assunto a serem postados aqui!

Trecho da "Carta de Pedro Dorantes al Rey", fechada en Asunción el 1542 (Correspondencia de los oficiales reales de hacienda del río de la Plata con los reyes de España, reunida en los Archivos de Indias en Sevilla - Roberto Levillier/Sucesores de Rivadeneyra, publicado en 1915, páginas 58 a 65).

Trecho de "La election de Domingo de Yrala", fechada el Asunción en 26 de abril de 1544 (Actas capitulares y documentos del Cabildo de Asunción del Paraguay, Siglo XVI: Cabildo - Roberto Quevedo, Margarita Durán Estragó e Alberto Duarte/Colección García Viñas, Biblioteca Nacional de Buenos Aires, Documento Nº 1031, página 21).

Trecho da "Información de Pedro Dorantes", fechada en Asunción (Correspondencia de los oficiales reales de hacienda del río de la Plata con los reyes de España, reunida en los Archivos de Indias en Sevilla - Roberto Levillier/Sucesores de Rivadeneyra, publicado en 1915 y 1916, páginas 160 a 165).

Trecho da "Información de Servicios de Gonzalo de Acosta", fechada en Asunción el 12 de enero de 1545 (El Portugués Gonçalo de Acosta Al Servicio de España - José Toríbio de Medina, publicado em 1908, páginas 89 a 91).

Trecho de la "Relación General de Cabeza de Vaca", fechada el 07 de diziembro de 1545 (Apuntes para una biografía del jerezano Alvar Nuñez Cabeza de Vaca - José Rodríguez Carrión) y (Relación de los Naufrágios y Comentários de Alvar Núñez Cabeza de Vaca, adelantado del Río de la Plata - Manuel Serrano y Sanz, publicado en 1906, Tomo 2, páginas 1 a 17).

Trecho da "Carta de Juan de Salazar Spinoza", fechada el 1 de enero de 1552 en Embiaçá (El Nacimiento del Obispo Trejo y Sanabria - Enrique Martinez Paz, páginas 49 a 52) - (Manuscrito original se encuentra en Archivo General de las Indias en Sevilha soy la referência antiga AGI 59-4-3, Documento nº 1235, tomo LXXXIX).

Trecho da "Carta y Descripción del Río de la Prata y del Brasil" de Juan Sánchez
de Viscaya (Relación), fechada el 25 de junio de 1554 (Manuscrito original se encuentra en Archivo General de las Indias en Sevilha soy la referência antiga AGI, Patronato,28R,.45\1\3 até 4) ou (Nº 84 de la papeleta, estante 1º, Cajon 1º, Legº 1/28 Real Patronato da Biblioteca Nacional del Archivo General de las Indias soy la referência Nº 7.176) y (El Nacimiento del Obispo Trejo y Sanabria - Enrique Martinez Paz, páginas 63 a 66) OBS: Em alguns documentos, também traduziram com a grafia "tabucá" ao invés de "tabuen", porém optei pela interpretação do documento original "tabuen".

Trecho da "Carta de Dominguez Martínez de Irala al Consejo de Indias", refiriendo sus entradas y descubrimientos por el río Paraguay hasta el Perú, y lo ocurrido en aquellas expediciones y en los asientos del Río de la Plata. Ciudad de Asunción, 24 de julio de 1555 (Ministerio de Fomento/Cartas de Indias, publicado el 1877, página 571).

Trechos do livro "Comentários" de Álvar Núñez Cabeza de Vaca de 1555 (redigido pelo seu secretário e companheiro do Rio da Prata Pero Hernández).

Capítulo V

Capítulo VI

Trecho da "Petición de don Andrés Montalvo para que se le haya merced del Alguazilasgo mayor de la provincía del Río de la Plata, é información levantada para probar sus servicios durante sus diez y siete años de residencia em ella y testimonios de Diego de Barba y Jaime Rasquín", fechada el Valladolid en España en el 23 de maio de 1557 (Archivo Colonial del Museo Mitre de Buenos Aires na Argentina, volume 2 "1545 a 1571" - publicado em 1915, páginas 206 e 207).OBS: Depoimento do próprio Andrés de Montalvo.Trecho da "Petición de don Andrés Montalvo para que se le haya merced del Alguazilasgo mayor de la provincía del Río de la Plata, é información levantada para probar sus servicios durante sus diez y siete años de residencia em ella y testimonios de Diego de Barba y Jaime Rasquín", fechada el Valladolid en España en el 23 de maio de 1557 (Archivo Colonial del Museo Mitre de Buenos Aires na Argentina, volume 2 "1545 a 1571" - publicado em 1915, página 209). OBS: Testemunho de Diego de Barba.Trecho da "Petición de don Andrés Montalvo para que se le haya merced del Alguazilasgo mayor de la provincía del Río de la Plata, é información levantada para probar sus servicios durante sus diez y siete años de residencia em ella y testimonios de Diego de Barba y Jaime Rasquín", fechada el Valladolid en España en el 23 de maio de 1557 (Archivo Colonial del Museo Mitre de Buenos Aires na Argentina, volume 2 "1545 a 1571" - publicado em 1915, página 212). OBS: Testemunho de Jaime Rasquín.

Trecho do "El testamento de Juan de Salazar Spinoza", Asunción, 25 de setienbro de 1557 (Los Primeros Italianos en el Río de la Plata Y Otros Estudios Históricos - Enrique de Gandía, página 107).

Trecho da "Juicio de límites entre el Perú y Bolivia: Prueba peruana presentada al gobierno de la República Argentina (Volume 09) – Mojos - Víctor Manuel Maúrtua, Página 13 e 14 y Bolivia-Paraguay: exposición de los títulos que consagran el derecho territorial de Bolivia, sobre la zona comprendida entre los ríos Pilcomayo y Paraguay - Ricardo Mujía, Páginas 39 e 40) Obs: Este documento é o Interrogatório do 1º ao 4º de 18 questionamentos feitos ao Capitão Nuflo de Chaves sobre as conquistas no Paraguai e no Rio da Prata .
Trecho da "Relación de los servicios de Nuflo de Chaves", fechada en Santa Cruz de la Sierra, el 1 de Junio de 1561 (Juicio de límites entre el Perú y Bolivia: Prueba peruana presentada al gobierno de la República Argentina (Volume 09) – Mojos - Víctor Manuel Maúrtua, Páginas 24 e 25 y Bolivia-Paraguay: exposición de los títulos que consagran el derecho territorial de Bolivia, sobre la zona comprendida entre los ríos Pilcomayo y Paraguay - Ricardo Mujía, Páginas 57 e 58) Obs: Este documento é parte do resumo de Hernando de Salazar que fala sobre os méritos e serviços feitos por Nuflo de Chaves.

Trecho do "Memorial de Francisco Ortiz de Vergara" dirigido al Adelantado Juan Ortiz de Zarate, donde se señala la derrota que convenía siguiera la armada que organizava hasta su arribo al Río de la Plata, fechada el 1570 (Correspondencia de los oficiales reales de Hacienda de Rio de la plata con los Reyes de España, Volume 1 - Roberto Levillier, publicado el 1916, páginas 255 a 257 y Documentos históricos y geográficos relativos a la conquista y colonización rioplatense/Expedición de Don Pedro de Mendoza: Establecimiento y desplobación de Buenos Aires - Jacob Peuser, publicado el 1941, páginas 63 a 65).

Trecho da Relación del Tesorero Francisco Ortiz de Vergara (fechada en el puerto de Cabo Verde) al Presidente del Consejo de Indias, Don Juan de Ovandos el 1 de enero de 1573 (Correspondencia de los oficiales reales de Hacienda de Rio de la plata con los Reyes de España - Roberto Levillier, Volume 1, publicado el 1915 y 1916, páginas 243 e 244 y Documentos históricos y geográficos relativos a la conquista y colonización rioplatense, Volume 1, publicado 1941 pela Edictora Talleres S.A., páginas 113 y 114.).

Trecho da "Carta de Pedro Dorantes", fechada el 8 de abril de 1573 (Colección de documentos relativos a la Historia de América y particularmente del Paraguay - Editora Blas Garay/Instituto Paraguayo, publicado el 1899, páginas 119 a 120).

Trechos do Livro "Historia Argentina del descubrimiento, población y conquista de las provincias del Río de la Plata" (La Argentina Manuscrita) de Ruy Díaz Guzmán de 1612 - Volume 2.

Capítulo I

Capítulo XV

Trechos do livro "Historia de la Conquista del Paraguay, Río de la Plata y Tucumán" do Padre Pedro Lozano de 1745.

Capítulo VIII

Capítulo XV

segunda-feira, 28 de abril de 2008

As teses sobre o itinerário do ramal do Peabiru em Santa Catarina no vale do rio Itapocu e outros caminhos indígenas existentes na região

Este tópico é provavelmente o que vai criar a a maior polêmica sobre o ramal do Peabiru aqui em Santa Catarina, pois está sendo colocado no mesmo todas as hipóteses e comprovações do itinerário dentro do vale do rio Itapocu até os altiplanos com várias interpretações diferentes de autores e pesquisadores que não chegaram a um consenso historiográfico, além de alguns caminhos supostamente atribuídos como sendo indígenas.
Por isso, tenho a minha teoria sobre o itinerário colocado de forma explícita e clara sobre o caminho do Peabiru dentro do vale do rio Itapocu mais coerente e aceito segundo comprovações históricas, geográficas e arqueológicas e principalmente por conhecer praticamente toda a região do vale do rio Itapocu desde a sua fóz, até próximo de seus dois mananciais que desaguam neste rio e um bom trecho dos altiplanos que a circunda em volta do vale, além de conhecer consideravelmente regiões próximas do planalto e litoral nordeste de Santa Catarina que também envolve diretamente sobre o assunto.




A linha preta no mapa indica o que poderia ser hipoteticamente falando a continuação terrestre do ramal do Peabiru saindo próximo da fóz do rio Itapocu até a ilha de Santa Catarina e até mesmo a cidade de Laguna ou Mbiaçá (uma espécie de marapé ou parapé que significa "caminho do mar" utilizado pelos Tupis a partir do litoral paulista).
Esta teoria se baseia principalmente nas expedições feitas por terra no sentido sudeste-noroeste de Aleixo Garcia em 1523 e de Cristoval de Saavedra em 1551, quando ambos saíram por terra das proximidades da ilha de Santa Catarina em direção ao Paraguai e da expedição de Hernando de Salazar e Afonso Bellido em 1552 que saíram da cidade de Laguna, além das expedições que saíram do Paraguai e que fizeram o caminho inverso sentido noroeste-sudeste dos Freis Bernardo de Armenta, Alonso Lebron e Afonso Bellido em 1544-1545, em direção a ilha de Santa Catarina e também a Laguna ou Mbiaçá. Também alguns outros desbravadores da coroa espanhola fizeram o caminho inverso noroeste-sudeste em direção a ilha de Santa Catarina e também a cidade de Laguna.
Teoricamente falando, não se sabe exatamente se este caminho realmente existiu pela orla do litoral catarinense e se o itinerário poderia ser apenas um caminho percorrível próximo das margens das praias ou ainda cortava a região litorânea catarinense próxima da orla marítima!
Nestas expedições citadas de Aleixo Garcia, de Cristóval de Saavedra, dos Freis Bernardo de Armenta, Alonso Lebron, Afonso Vellido e também de Hernando de Salazar, não se tem notícias de que os mesmos se utilizavam de embarcações partindo da ilha de Santa Catarina e da cidade de Laguna pra se chegar diretamente a fóz do rio Itapocu e vice-versa.
O Padre Tarcísio Marchiori em seu livro: "Terra dos Carijós", afirma que em muitos casos, o caminho era percorrido por terra pelos índios desde a ilha de Santa Catarina, passando pela orla marítima e atravessando apenas alguns acidentes geográficos que possivelmente impediria o trânsito por alguma praia.
Outros pesquisadores como Deise Lucy Montardo da UFSC, deduz que alguns pontos da atual BR-101, (trecho norte da rodovia) poderiam ter sido trechos antigos do Peabiru na costa catarinense.
Uma produtora de Itajaí que tem um projeto sobre o Peabiru, também em seu "preview" tem a mesma opnião da possibilidade da existência do caminho ter chegado até a ilha de Santa Catarina.
Recentemente, apareceu uma reportagem na mídia aberta sobre a lenda de São Tomé e a "possível" existência do dito "apóstolo de cristo" no litoral de Santa Catarina (especialmente na região de Balneário Camboriú, defendida pelo senhor Isaque de Borba Corrêa em seu livro "São Tomé - A Saga do Apóstolo de Cristo na América"), onde também mostra um "picadão" supostamente atribuído como sendo uma continuação do Caminho do Peabiru.
Como pesquisador sério, não posso acreditar ou descartar esta informação que precisa ser melhor estudada pela historiografia e arqueologia catarinense.
Pra alimentar estas teorias equivocadas sobre o Peabiru (lendas, misticismo), onde se dá uma conotação de que estas pegadas seriam atribuídas a presença da lenda de São Tomé neste locais, tem uma imagem estraída de uma página de aventureiros que mostram claramente este "vestígio", não citando no caso a lenda de São Tomé, mas apenas mostrando a gravura da pedra intitulada de "Pé de Índio", na localidade de Bateias de Baixo em Campo Alegre. Querer atribuir a presença de São Tomé por causa destas gravuras, seria fora do contexto historiográfico do que se tem de notícia do caminho do Peabiru. Se isso fosse realemnte verdadeiro, São Tomé seria o primeiro "Abarebebê" (o Padre que voa) muito antes do Padre Leonardo Nunes na qual foi colocado este termo indígena, pois só assim pra está em tantos lugares distantes e por onde se tem a gravura de um "pé" na rocha, seria somente a comprovação de sua presença nestes locais! ninguém mais sério tentou averiguar outro tipo de simbologia indígena nestas gravuras?
Gravura chamada de "Pé de Índio", na localidade de Batéias de Baixo em Campo Alegre. Foto estraida do site "aventurasnosul.com.br"
A foto acima mostra a praia de Piçarras e Penha, ao fundo a serra (Armação) de Itapocoróia, onde segundo algumas teses sobre o itinerário do caminho do Peabiru desde a ilha de Santa Catarina e Laguna, seria esta uma supostoa continuação por onde seguiria o caminho indígena por terra até a ilha de Santa Catarina e Laguna. Esta pequena serra seria o último acidente geográfico por onde o caminho indígena litorâneo transpassaria antes de se chegar na fóz ou próximo da fóz do rio Itapocu.

A linha verde seria o itinerário mais aceitável do ramal do Peabiru em Santa Catarina num consenso histórico, geográfico e arqueológico, se baseando também na hidrografia do rio Itapocu desde a sua fóz até as confluências dos rio Humboldt e rio Novo em Corupá, de onde o caminho a partir deste ponto começava exclusivamente por terra a subir a serra até os Campo dos Aníris (ou "dilatadas llanuras de Ytatuá", descritas por Cabeza de Vaca), entre São Bento do Sul (bairro Lençol) e Rio Negrinho (região entre Rio do Salto ao Rio Preto), se extendendo paralelamente este caminho próximo das márgens do rio Negro até a cidade de Mafra-SC com Rio Negro-PR, de onde se tem estudo de que o caminho subia em direção a cidade de Lapa-PR até chegar no tronco principal paranaense na cidade de Castro-PR.
Outra prova a favor deste itinerário, seriam os vestígios de caminhos indígenas antigos que se tem como prova material neste trajeto de serra entre Corupá e São Bento do Sul e possuem características semelhantes dos vestígios do Peabiru encontrados no estado do Paraná.
Também esta linha se baseia nos dados coletados das expedições dos desbravadores espanhois no século XVI, dando citações de acidentes geográficos que coincidem com este itinerário dentro do vale do rio Itapocu.
Um exemplo seria uma citação na expedição de Cabeza de Vaca em 1541, onde parte desta expedição se utilizou de algumas canoas e que os mesmos chegaram num porto (que seria as confluências dos atuais rio Humboldt e rio Novo em Corupá). A expedição de Hernando de Trejo, Mencia Calderon e outros em 1554, também é citado no livro de Ruy Diaz de Gusmán chamado popularmente "La Argentina Manuscrita de 1612", onde também se referem que esta expedição subiu o rio Itapocu e após contratempos e mortes causadas pela fome e doenças, chegaram a um porto de onde desembarcaram e deixaram as canoas para seguirem serra acima). Esta confluência seria a mais aceita porque até naquele ponto é possível navegar com pequenas embarcações. Nada impede que as confluências dos rios Jaraguá com o Itapocu e um pouco mais abaixo pelo rio Itapocu-mirim (Itapocuzinho) com o Itapocu, poderiam ser também local de algum porto de canoas utilizadas por indígenas e pelos desbravadores da coroa espanhola no século XVI. Porém, não se tem comprovações históriográficas e arqueológicas a respeito. Tese defendida principalmente pelo pesquisador e historiador catarinense Lucas Alexandre Boiteux em seu livro: Santa Catarina no século XVI (Anais do primeiro congresso catarinense de História em 1950), na qual deu o nome de Campo dos Aníris que situava próximo da região da bacia hidrográfica do rio Preto (afluente do rio Negro), referente ao primeiro chefe da povoação indígena da nação guarani e vassala da coroa espanhola que foi descrito na expedição de Cabeza de Vaca em 1541 como Anníriri). Também na expedição de Hernando de Trejo e Maria de Sanabria, eles citam o chefe da povoação indígena vassala da coroa espanhola ao subirem a serra descrevendo com o nome de Gapúa ou Guapúa. Não se sabem se seriam exatamente a mesma povoação indígena com chefes distintos em épocas diferentes!
Esta tese acima é defendida pelo autor desta página virtual.

A linha azul escuro seria uma tese aceitável da possibilidade de ter existido uma segunda subida pela serra também a partir das confluências dos rios Humboldt e Novo em Corupá, pois geograficamente por alí se consegue chegar aos altiplanos também por uma caminho de subida de serra menos íngreme, margeando neste caso através do rio Novo até os contrafortes da serra (contornando por baixo ao pé da serra do Guarajuva, pois esta serra é inviável um caminho por alí apesar de uma descrição histórica relatando a presença de índios por alí nos fins do século XIX), se encontrando novamente com o itinerário mais aceitável no lugar conhecido como "Rio Mandioca", já em território altiplano de São Bento do Sul-SC. Mas o que sugere um desvio do itinerário a partir das confluências na cidade de Corupá seria alguns mapas do século XVII mostrando uma acentuação considerável da nascente do rio Itapocu a esquerda. Aos pés da serra este seria o único rio e confluência que se encaixaria numa analogia a interpretação e leitura dos mapas consultados. Nos mapas da segunda metade do século XVII, o rio Itapocu já aparece com dois braços de rio perto de suas nascentes. Tese estudada e também defendida pelo autor desta página virtual.
Duas outras possibilidades desta interpretação referente aos mapas consultados seriam de que o desvio poderia ser uma alusão ao outro afluente do rio Novo chamado de ribeirão Correas, de onde também poderia se chegar com mais dificuldades ao contrafortes da serra e consecutivamente ao Campo dos Aníris em Rio Negrinho e também da possibilidade desta interpretação seja referida as confluências dos rios Itapocu com o rio Jaraguá, porém não se tem notícias e comprovações historiográficas de que por este afluente poderia ter existido um caminho, muito menos esta direção estaria fora do padrão de navegação sudeste-noroeste e noroeste-sudeste e ainda geograficamente falando o lugar mais acessível de entrar serra acima nesta direção seria pelo vale do rio Jaraguazinho, de onde também poderia se chegar ao Campo dos Aníris em Rio Negrinho pela região altiplana do rio Preto no mesmo limite territórial desta cidade.
O adelantado Cabeza de Vaca em 1541 quando ele e sua expedição chegaram no dito "Campo", o mesmo se referiu ao local como sendo as "dilatadas llanuras de Ytatuá (Tatuá) pobladas de indios guaranís". Segundo uma das possíveis traduções desta palavra indígena, o possível significado de ytatuá ou Tatuá seria aproximadamente esta: "faixa de terras planas povoadas por índios onde deságuam grandes quedas da água", provavelmente por ele e o resto da expedição terem vistos as grandes quedas da água aos arredores da serra de Corupá.
Salto da Bruaca em Corupá. Se avista esta grande queda da água desde alguns pontos da cidade de Jaraguá do Sul. Provavelmente foi esta uma das referências que o adelantado teve como visão da região e que mais tarde foi descrito na linguagem indígena de Ytatuá (Tatuá), ou seja, "rio por onde desagua grandes quedas da água", após ter chegado com suas expedição nos altiplanos.
Salto 14 da R.P.P.N. Emílio F. Battistella (conhecido popularmente como "Rota das Cachoeiras"). O adelantado Cabeza de Vaca caso o mesmo tenha também se referido a visão desta outra grande queda da água em seu comentário ao se chegar no dito "campo", tudo indica que ele e a expedição tenha tomado como rota de subida da serra por um dos afluentes do rio Novo e não pela teoria da linha verde no trecho da subida da serra pelo bairro do Bomplandt em Corupá, em direção a localidade do rio Mandioca nos limites intermunicipais de Corupá e São Bento do Sul.

Trecho da subida da serra que leva também a localidade do rio Mandioca entre Corupá e São Bento do Sul. O relevo desta pequena serra favorece também a subida sem maiores dificuldades.

A linha vermelha que percorre paralelamente ao itinerário principal entre Corupá e São Bento do Sul porém ainda aos pés da serra do mar se baseia nas descrições de um caminho indígena que existiu segundo os primeiro moradores de origem europeia e brasileira, nas margens do rio Vermelho até os contrafortes da serra em São Bento do Sul numa confluência de seu afluente chamado rio dos Bugres, até chegar nas localidades de Rio Vermelho (próximo das margens do rio Banhados), passando pela localidade de Serra Alta e próximo das margens do rio Banhados onde este rio percorre dentro do dito "Campo dos Aníris" até a cidade de Rio Negrinho. Segundo a história local, os índios Xoklengs da etnia ou nação Jê, utilizavam este trecho pré-existente para subir e descer a serra no vale do rio Itapocu. A duas estradas que existem naquele lugar, supostamente seriam uma extensão de um caminho indígena, tanto a estrada dos Bugres ou Buger Strasse e também com uma bifurcação desta estrada chamada de Carvoeiro (esta última no trecho final na BR-280, se encontra praticamente com o vestígio do caminho que foi encontrado em Serra Alta em São Bento do Sul. Quem defende esta teoria de que o caminho percorria por alí seria o pesquisador de São Bento do Sul chamado Henry Henkels.



Confluência do rio Natal (a direita) com o rio Vermelho (a esquerda), se originando alí o nome do rio "Humboldt" nas divisas territoriais de Corupá e São Bento do Sul. Segundo esta tese, o caminho continuava margeando os rios Humboldt e Vermelho (rio do lado esquerdo da foto) até os contrafortes da serra que envolve este rio.
Rio dos Bugres, em São Bento do Sul (não confundam o nome deste rio com os outros dois que existem com esta mesma nomenclatura nas cidades de Campo Alegre e Rio Negrinho). Seria este afluente do rio Vermelho uma das ligações do caminho indígena com o altiplano.

A linha azul claro ou azul marinho indica algumas teorias e conjecturas de que o ramal do Peabiru do vale do rio Itapocu continuava a partir das márgens de um dos afluentes do rio principal chamado rio Itapocuzinho ou Itapocu-Mirim, percorrendo o pequeno vale do Itapocuzinho, subindo os contrafortes da serra do mar mais ou menos onde se localiza a continuação do afluente principal do rio itapocuzinho chamado de rio Manso, chegando nos primeiros altiplanos chamados naquela região de Campos de São Miguel e dalí hipoteticamente falando o caminho tende a ir em direção oeste ao Campo dos Aníris em São Bento do Sul e Rio Negrinho e dalí este caminho seguiria tradicionalmente passando por Mafra-SC e Rio Negro-PR.
A cidade de Campo Alegre, onde se situa os Campos de São Miguel e Campos do Quirirí, sem maiores estudos os mesmos alegam historicamente de que a expedição de Cabeza de Vaca teria passado pelas terras do município de qualquer maneira. Há uma especulação de que o caminho poderia partir de um afluente do rio Humboldt em Corupá chamado de Ano Bom e dalí seguiria pelo pequeno vale, subindo os contrafortes da serra e chegando nos altiplanos entre os Campos de São Miguel e do Campo dos Aníris em São Bento do Sul (passando pelas região do rio Banhados), porém não se tem comprovações históriográficas e arqueológicas a respeito.


Confluência dos rios Itapocuzinho (a direita) com o rio Itapocu (a esquerda), divisa territorial de Guaramirim com Jaraguá do Sul
Serra do Boi na localidade de Santa Luzia em Jaraguá do Sul (atrás deste vale se encontra o cume mais alto do vale do rio itapocu chamado morro da Palha com seus 1.176 metros de altitude. A partir deste ponto, sobe os contrafortes da serra tomando como referências os rios Itapocuzinho e Manso.

A linha rosa que seria uma bifurcação e continuação da linha azul claro ou azul marinho já nos altiplanos, é uma outra tese hipotética de que partindo o caminho a partir do rio Itapocuzinho, este traçado seguiria diretamente mais ou menos em direção norte, passando pelo Campo dos Fragosos e Campo dos Ambrósios já no estado do Paraná. Quem defende esta teoria seria os pesquisador Igor Schmyz na qual acredita que existiu uma tribo provavelmente da nação guarani na região dos altiplanos do território que compreende hoje Joinville e Campo Alegre no século XVI chamada "Itaguaçú" ou "Pedra Grande", fazendo uma alusão a este itinerário por ficar próximo de uma formação rochosa chamada "Castelo dos Bugres", de onde se tem algumas presunções e lendas de que foi um dia um local sagrado para esta povoação indígena. Outros pesquisadores que tem como teoria de que o Itapocuzinho poderia ser a continuação do Itinerário do Peabiru perlo vale do rio Itapocu seriam Reinhard Maack em seu esboço sobre o itinerário feito pelos desbravadores da esquadra de Sanábria. O mesmo ilustra em um croqui feito juntamente com Karl Fouquet no livro chamado "Hans Stadens Wahrhaftige Historia", mostrndoa que na altura do rio Itapocuzinho seria mais fácil pra se chegar a Abapany e Tindiquera ou vale do rio Tibagi no Paraná nos dias de hoje, onde se encontra com o tronco principal do Peabiru. O pesquisador Cyro Ehlke também tem sua teoria a respeito sobre este possível itinerário pleo rio Itapocuzinho,pois acreditava que o "dito campo" seria em Campó Alegre.

A linha cinza é uma tese hipotética de que haveria uma interligação dos dois caminhos indígenas usados com pretensões e épocas diferentes, pois tudo indica de possa ter existido como uma interligação entre o ramal do Peabiru no vale do rio Itapocu com o caminho de Três Barras ou "Caminho Velho", mais ou menos na altura do afluente do rio Itapocu um pouco acima de sua desembocadura, próximo das márgens do afluente chamado de rio Piraí ou Piranga como era conhecido antigamente, passando mais ou menos na região oeste da cidade de Joinville aos pés da serra do mar (também próximo da formação rochosa dos altiplanos chamada de "Castelo do Bugres"), seguindo mais ou menos pela mesma direção paralelamente a BR-101 até a cidade de Garuva, onde hipoteticamente se interligaria com o caminho de Três Barras e dos Ambrósios. O pesquisador Luíz Galdino em seu livro "Peabiru - Os Incas no Brasil", em um de seus croquis mostra esta possibilidade. Para outros esta teoria seria apenas a "única possibilidade" do rio Itapocu ter alguma "participação histórica" como ponto de referência do itinerário do Peabiru em Santa Catarina, quando o trecho não era percorrido por mar até a fóz do rio itapocu, pois estes mesmos defendores desta tese não aceitam a possibilidade do rio itapocu ter sido historiograficamente o ramal do Peabiru em Santa Catarina, dando ênfase apenas a suposta historiografia não comprovada para o caminho de Três barras ou "Caminho Velho" em relação aos desbravadores da coroa espanhola no século XVI e tendo como ponto de chegada por este caminho pelo mar não a fóz do rio Itapocu e sim mais ao norte na baía do Palmital em Garuva ou na península do Saí entre Itapoá e São Francisco do Sul.

A linha marron indica no início da imigração européia na metade do século XIX na antiga colônia Dona Francisca (atualmente a cidade de Joinville) que já existia um caminho indígena antigo denominado Jurapé ou Jurapê, que ia no sentido leste-oeste a partir da beira do rio cachoeira/ Lagoa do Saguaçú, e começava antigamente na Mathias-Strasse (rua Matias), onde atualmente fica a rua Nove de Março bem no centro da cidade em direção ao bairro Vila Nova, porém este caminho aparentemente não tinha alguma correlação ao Caminho do Peabiru, mas não deixa de ser um caminho indígena e apenas interligava os pontos da região próxima da baía da Babitonga (centro de Joinville) com a região da bacia hidrográfica do rio Piraí até os contrafortes da serra (onde possui o acidente geográfico com o mesmo nome chamado pico Jurapê ou Jurapé), além do outro acidente geográfico de formação rochosa chamado "Castelo dos Bugres".

A linha amarela seria um um suposto caminho indígena antigo chamado de "Apecatu" (caminho bom) na R.P.P.N. Reserva Volta Velha na região do rio Saí-Mirim na cidade de Itapoá-SC. Não se sabe se esta trilha existia e também se já era conhecida por este nome pelos antigos moradores do local ou se esta trilha juntamente com as outras duas (a Casa de Vidro e a do Sambaqui) foram criadas na própria reserva em razão de sua criação.

A linha roxa é o que seria antigamente o itinerário do caminho de Três Barras ou "Caminho Velho", utilizado historiograficamente pelos jesuítas da Companhia de Jesus vindos da região do Guaíra e por vicentistas da capitania de São Paulo no século XVII, além de tropeiros que passavam por este caminho trazendo gado dos altiplanos para a região litorânea catarinense no século XVIII em direção a São Francisco do Sul e também as demais vilas menores do litoral de Santa Catarina que existiam naqueles tempos. Este caminho provavelmente começava no pontal do Saí (lugar mais próximo pra se chegar e sair da antiga vila de São Francisco Xavier do Sul), passando pelos banhados e manguezais entre a serra que separa o Saí e o mar e também com a divisa do Paraná, passando provavelmente próximo das desembocaduras da fóz de três riachos que deságuam na baía do Palmital chamados neste ponto de "Três Barras" (daí veio o nome do caminho), tendo como ponto de referências uma das márgens de um destes rios chamado rio de três barras, chegando até os contrafortes da serra conhecidos como serra do Quirirí ou antigamente conhecidos também com os nomes de Icrín, Iquerím, Iqueririm, Iquirí (nome dado por causa de um pequeno riacho que corta aquela serra) e outros nomes parecidos, passando pelo trecho conhecido como "saboneteira", onde o trecho é calçado com pedras maciças e que foi comprovado recentemente pelo pesquisador Gleison Vieira em seu livro: "Porto Barrancos/Berço de Garuva", onde em um documento encontrado no Arquivo Histórico no Rio de Janeiro dando a ordem da construção do trecho da escadaria de pedras pelo governador da província de Santa Catarina João Coutinho em 1852. Alguns anos atrás, o caminho de Itupava também tinha sido calçado com pedras a mando da província daquele estado. Deste trecho em diante também existia um caminho secundário paralelo ao que se é usado como padrão hoje, passando pela "pedra dos Jesuítas" (supostamente atrubuído aos mesmos) e rochedo conhecido popularmente como "Pedra do Guardião", chegando no cume conhecido popularmente como Monte Crista, seguindo próximo pelo divisor de águas desta serra, passado pela pedra conhecida como "cabeça de Dinossauro" até atingir os Campos do Quirirí e também ao Campo dos Ambrósios e percorrendo o caminho com o mesmo nome em sentido norte-noroeste em direção a grande Curitiba-PR. O pesquisador joinvillense Olavo Raul Quandt, tenta defender de forma hipotética e irredutivel de que o "único caminho do Peabiru em Santa Catarina" era feito por este itinerário desde os tempos imemoriáveis.

Acidente geográfico conhecido popularmente pelo seu cume como Monte Crista. Por alí passava um caminho antigo indígena conhecido como de Três Barras (ou Caminho Velho) por causa da desembocadura de três riachos num mesmo ponto na baía do Palmital em Garuva. Contudo historiograficamente falando existe muito pouco estudo sobre este itinerário. Sabe-se por algumas descrições históricas de que este itinerário foi utilizado pelos jesuítas da Companhia de Jesus da região do Guaíra no Paraná e pelos portugueses/vicentistas no século XVII, além de se ter sido utilizado pelos tropeiros a partir do século XVIII.

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O círculo de cor azul é a atual desembocadura do rio itapocu na Lagoa do Norte ou da Cruz entre os limites territoriais das cidades de Barra Velha e Barra do Sul. Porém no século XVI ou séculos anteriores, tudo leva a crer de a entrada do mar ao rio se encontrava mais abaixo na Lagoa do Sul ou de Barra Velha (nome dado a cidade justamente pela referência da antiga desembocadura no mar ao sul desta lagoa).


01 - As três fotos acima mostram a atual fóz do rio Itapocu e a Lagoa do Norte ou da Cruz e a Lagoa do Sul ou de Barra Velha em ângulos diferentes.


O círculo de cor ocre á o atual morro das antenas e pico do Jaraguá entre os limites territoriais das cidades de Jaraguá do Sul e Guaramirim. Este acidente geográfico se avista desde a cidade litorânea de Barra Velha e também parte do Canal do Línguado. num mapa do século XVI. Tudo indica de que este acidente tenha sido desenhado como referência cartógrafica ao rio Itapocu e que tenha sido um ótimo ponto de referência aos desbravadores da coroa espanhola ao entrarem ou saírem do vale do rio Itapocu.

Morro da Antenas ou começo da serra do Jaraguá, onde o cume mais alto a esquerda é chamado de pico Jaraguá, com seus 927 metros acima do nível do mar. Um mapa do século XVI aponta este acidente geográfico no rio Itapocu (que foi chamado neste mapa de río del Ancon), mostrando sua importância como referência e imponência em todo o vale do rio Itapocu. Os desbravadores da coroa espanhola não deixaram de marcar este acidente geográfico ao passar pelo rio Itapocu em direção aos altiplanos e consequentemente ao Paraguai. O Padre Tarcísio Marchiori em seu livro: "Terra dos Carijós", se baseando numa das cartas do frei Bernardo de Armenta, afirma que o frei teria descoberto ouro próximo da serra do Jaraguá ao retornar de Assunção no Paraguai em 1544/1545.

O círculo marron seria o vestígio do antigo caminho indígena localizado no bairro Bomplandt na cidade de Corupá. O mesmo começa a subir os contrafortes da serra num divisor de águas.


Vestígio do caminho encontrado no bairro Bomplandt em Corupá.


o círculo preto seria a interligação do vestígio encontrado no bairro Bomplandt em Corupá, mas este vestígio que fica já nos altiplanos, se encontra próximo da bifurcação da BR-280 com a estrada que leva ao bairro de Serra Alta e também com o final da estrada do Carvoeiro em São Bento do Sul. Dalí já se avista parte do dito "Campo do Aníris".









Vestígio do caminho encontrado no bairro de Serra Alta (paralelo a BR-280) em São Bento do Sul. Tem um a correlação direta com o vestígio encontrado no bairro Bomplandt em Corupá, segundo estudos arqueológicos e geológicos do solo.

O círculo verde seria um vestígio não confirmado de um caminho indígena secundário que tudo indica foi utilizado por tropeiros do século XIX na época da erva mate (bem antes da construção da estrada Dona Francisca a partir da segunda metade do século XIX), e foi conhecido popularmente como O termo germânico "Müllweg" ou "Caminho das Mulas". Este caminho pelo seu itinerário leste-oeste, tudo indica que interligava o Caminho dos Ambrósios com o ramal do Peabiru do Itapocu na altura dos Campos de Lençol (Aníris) entre São Bento do Sul e Rio Negrinho.

Vestígio de um caminho indígena utilizado por tropeiros na segunda metade do século XIX.

O círculo cinza seria a localização do acidente geográfico conhecido popularmente como "Castelo dos Bugres". Fica a 1010 metros acima do nível do mar e estaria relacionado segundo as teses de alguns pesquisadores, onde este acidente geográfico fica próximo das teorias do caminho do Peabiru pelo rio Itapocuzinho com as linhas cinza e azul clarou ou azul marinho.

Castelo dos Bugres, situado a 1010 metros acima do nível do mar.

O círculo vermelho seria a localização aproximada dos acidentes geográficos conhecidos popularmente como "Saboneteira", "Pedra do Guardião" e "Monte Crista". São estes três que mais se destacam, mas somente o cume do Monte Crista pode ser visto aos pés da serra do Quirirí até o mar na altura de Itapoá e também da Baía do Palmital em Garuva.

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O quadrado de linhas pretas que se destaca no canto do mapa a esquerda, mostrando os altiplanos seria o Campo dos Aníris, onde é considerado o dito "Campo ou Campo Abierto" dos desbravadores que relataram nas expedições de Cabeza de Vaca e também da Esquadra de Sanábria.


Campos de São Bento do Sul e Rio Negrinho (fotos tiradas próximo a BR-280 entre os bairros Serra Alta e Lençol, em São Bento do Sul). Esta região era conhecida e indicada nas descrições históricas e também nos mapas do século XVI e XVII como sendo o dito "campo ou campo abierto", por onde se encontrava a primeira povoação descrita por Cabeza de Vaca sobre o comando do chefe indígena Anníriri, mas foi popularmente divulgada pelo historiador catarinense Lucas Alexandre Boiteux como sendo o "Campos do Aniris".

O quadrado de linhas azuis que se destaca no lado esquerdo do mapa, mostrando parte dos altiplanos dos Campo dos Fragosos com os Campos de São Miguel, entre os limites territoriais de São Bento do Sul com Campo Alegre).

Campos de São Miguel em destaque e no fundo da imagem (horizonte) Campos de Fragosos, ambos na cidade de Campo Alegre.

O quadrado de linhas marrons que se destaca no lado esquerdo do mapa, mostrando os altiplanos seriam partes dos Campos do Quirirí e também um pedaço do Campo dos Ambrósios já no estado do Paraná.